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A família e seu papel fundamental na prevenção ao uso de álcool e outras drogas

A família e seu papel fundamental na prevenção ao uso de álcool e outras drogas

O consumo de drogas é um fenômeno mundial e devemos encará-lo como um grave problema de saúde pública. Percebe-se que em nossa sociedade ainda é um tema que enfrenta grandes tabus e preconceitos. Apesar de vivermos a era da informação, muitas informações a respeito das drogas ainda são distorcidas e por este motivo os interessados no assunto devem procurar por entidades fidedignas, que pesquisam e trazem dados reais sobre o panorama das drogas na atualidade.

Primeiramente é necessário entender a dependência química como doença “incurável”, assim como a diabetes, que deve ser tratada pelo resto da vida. Algumas pessoas possuem uma pré-disposição para desenvolver a dependência, outras fazem o uso e não a desenvolvem. Três fatores são relevantes para que a dependência se instale: o poder de dependência que a droga oferece, o ambiente onde o individuo esta inserido e sua relação com a droga e por fim, o individuo com suas questões emocionais e biológicas podendo desencadear outros tipos de comorbidades como por exemplo a esquizofrenia (para quem tem herança biológica).

O grande “X” da questão é que não dá para saber quem desenvolverá a dependência ou não, pois, o simples fato de experimentar qualquer tipo de droga pode ser de grande risco e o início de uma vida de sofrimentos.

O problema é que esta consciência de dependência como doença ainda não é uma realidade em nosso país. O senso comum ainda encara com muito preconceito e discrimina o usuário de drogas com termos pejorativos como vagabundo, “nóia” ou mesmo o pensamento de que: “está nesta vida porque quer”, o que na realidade não é bem assim.

Esta visão ainda distorcida e a falta de conhecimento mais disseminado entre a população sobre o uso e abuso de álcool e outras drogas tem gerado muito insegurança principalmente em pais e educadores de como lidar com esta problemática entre crianças e adolescentes.

No início usar drogas é uma escolha, depois se torna uma necessidade  que a cada dia mais traz prejuízos e sofrimento para o usuário e para seus familiares. E escolher sair deste caminho é ainda mais difícil quando a dependência e todas as implicações que ela traz se instalam física e emocionalmente na vida destas pessoas.

Na atualidade a experimentação do uso de álcool e outras drogas têm acontecido cada vez mais precocemente, na passagem da infância para a adolescência. Pesquisas revelam que o uso de álcool e tabaco ocorre por volta dos 12 anos e da maconha e cocaína por volta dos 14 e 15 anos.

É assustador pensar que no Brasil 22% dos nossos adolescentes já experimentaram algum tipo de droga ilícita (excluindo-se álcool e tabaco que são drogas lícitas). Na média, praticamente um em cada quatro adolescentes já experimentou algum tipo de droga ilícita na vida.

Essa conta é muito alta não é? O que fazer e como fazer para evitar que nossos jovens se percam neste mundo de destruição que as drogas oferecem?

Percebe-se o grande despreparo dos pais para lidar com este grande problema que aflige diversas famílias. Quem hoje não conhece algum parente ou amigo que esteja vivenciando este drama? É uma dura realidade que esta ao nosso lado.

A família tem um papel de extrema importância na prevenção ao uso de álcool e outras drogas. Um lar estruturado, com regras claras e objetivas, onde a comunicação se dá de forma clara e respeitosa, que transmite seus valores e ensina seus filhos a lidar com as regras da sociedade é o grande alicerce para que crianças e adolescentes cresçam de forma saudável e desenvolvam sua identidade com base nos valores transmitidos pela sua família.

Propiciando desta forma uma maior segurança e clareza para lidar com os desafios que enfrentará pela vida.

O papel de educar os filhos é um grande desafio. Cada fase do desenvolvimento da criança até a transição para a adolescência traz consigo novos desafios, novas angústias e os pais vão aprendendo na vivência e com base em sua experiência de vida qual o melhor caminho a seguir.

Não existe uma receita pronta de como fazer tudo dar certo. Cada um agirá com base em seus valores e tomará as atitudes que lhe parecem corretas em cada circunstância. Entre erros e acertos vamos aprendendo a sermos pais.

Mas, algumas atitudes e mudanças de comportamento podem auxiliar para que se fortifiquem os laços entre pais e filhos, laços estes primordiais para prepará-los para enfrentar as questões que aparecerão em seus caminhos. E a questão das drogas está cada vez mais presente na vida dos jovens.

Primeiramente os pais devem refletir qual o seu ponto de vista em relação a este tema. Observar com sinceridade qual a sua relação com as drogas e quais comportamentos apresentam. Por exemplo: pais que gostam de beber cerveja, como é este uso? Existe moderação ou um uso abusivo na presença de seus filhos? Qual a relação da família com a bebida?

Pensar sobre o uso de álcool pode ser algo polêmico, que traz bastante discussão, pois, trata-se de uma droga lícita, aceita pela sociedade e inserida em vários contextos sociais: festas, confraternizações, etc.

Porém, importante ressaltar que é a droga de mais fácil acesso aos jovens e que está vinculada a um grande número de mortes. Dentre os jovens que morrem em acidentes automobilísticos, a grande maioria fez o uso abusivo de álcool. Sim, é a droga que mais mata no mundo e é importante mudarmos o pensamento de que um copo de cerveja não é prejudicial.

Os pais identificando suas questões em relação às drogas terão que pensar em qual tipo de exemplo deseja transmitir aos seus filhos. Às vezes será necessário mudar seus hábitos, se faz uso de alguma droga lícita ou ilícita diminuindo seu uso e repensando a sua postura. Pais são os espelhos de seus filhos, eles não farão somente o que você diz. Farão o que você faz! O exemplo tem muito mais força do que as palavras.

É importante falar claramente com seus filhos sobre o que você pensa sobre as drogas, quais as regras da família em relação a isto, o que é aceito ou não. Procurando falar de uma maneira acolhedora e não autoritária, buscando uma relação de amizade com seus filhos. Busque conhecer sobre as drogas, como agem, seus efeitos e suas implicações. Prepare-se para estar pronto a tirar as dúvidas de seus filhos com segurança e com informações fidedignas. Se não souber a resposta, busque a informação junto com seus filhos. Falar sobre o prejuízo que as drogas oferecem, mas, também do prazer que ela traz inicialmente e do grande risco que este prazer inicial acarreta.

Não se pode ignorar que inicialmente a droga traz muito prazer para a maioria das pessoas que a experimentam, pois, se esta informação é negligenciada pelos pais e o jovem experimenta e sente o grande prazer que a droga lhe oferece, acreditará que seus pais não sabem de nada e que tudo o que falavam sobre as drogas não é verdadeiro.

Conheça os amigos de seus filhos, onde moram, conheça suas famílias. Dificilmente a experimentação de drogas é feita junto com um traficante. Na maioria das vezes quem apresentará as drogas a seus filhos será um amigo próximo.

A prática de esportes é um grande aliado como fator de proteção, pois, o esporte traz conceitos de disciplina, regras, convivência em equipe. Portanto, incentive seu filho a ter uma vida saudável.

Pai e Mãe devem estar juntos nesta empreitada, falando a mesma língua, transmitindo os mesmos valores, incentivando a práticas saudáveis, estimulando a autoestima de seus filhos e sendo amigos.

É fundamental perceber as mudanças que acontecem com seu filho,  que na transição da infância para a adolescência ele desenvolverá seus próprios valores e que respeitar a sua individualidade também para ouvir os argumentos que o outro (seu filho) é de fundamental importância para a prevenção do uso e abuso de drogas.. Orientar estando-se verdadeiramente aberto a ouvir também os argumentos que o outro (seu filho) apresenta.

Perceber que a tarefa de sermos “pais” é árdua e que implica numa mudança em nós mesmos para sermos o melhor exemplo para o outro. Apesar de todas as dificuldades que esta missão apresenta, nada é mais gratificante do que futuramente vermos nossos filhos realizando seus sonhos e livres para fazer suas escolhas de forma saudável e segura.

 

Novembro, 2015

 

Aprimore Psicologia
Denise Chagas Silva
Denise Chagas Silva Seguir

Psicóloga Clínica, CRP 06/100956 atendimento adolescentes e adultos. Consultório Lapa e Alphaville. Celular: (11) 96725-5098 e-mail: denise_chag@yahoo.com.br

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