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Cadê o Feedback?

Cadê o Feedback?

Durante alguns anos de minha vida, trabalhei numa instituição financeira bastante conservadora, repleta de normas, com foco em números e regras. Mas eu tinha um objetivo: sair desse ambiente mais “exatas” e atuar numa área com a qual eu tivesse mais afinidade dentro dessa instituição. E, finalmente, nos meus últimos anos na empresa, tive a feliz oportunidade de atuar nas áreas de Educação Corporativa e Consultoria Interna, dentro da unidade de Recursos Humanos. Ali, pude perceber que, por mais conservadora que fosse a empresa na qual eu trabalhava, estava acontecendo um movimento importante de, digamos, “humanização” do trabalho. Claro que eram passos pequenos, mas parecia estar surgindo um novo momento, no qual a participação dos funcionários era mais importante. Eu via surgir uma preocupação em treinar líderes e base e, alguns desses treinamentos, traziam conteúdos relacionados à propósito, empatia, escuta ativa, inovação e criatividade…Até eneagrama era usado em um deles e, nossa, isso me deixava bem feliz! E um desses treinamentos trazia um tema fundamental para conquista de bons resultados em uma equipe de trabalho: o chamado feedback*! Veja bem: existia um treinamento específico com este nome: Feedback*. Como eu disse, nada garante que, na prática, estes temas eram levados em consideração, mas havia um movimento forte de mudança de mentalidade e comportamento organizacional.

Eu não estou mais nesta empresa, desde que optei por empreender, e não sei se ainda permanece essa preocupação que, na minha opinião, demonstrava uma importante evolução na história da organização. Então, por que, afinal, estou falando disso?

Recentemente, por meio de minha página no Facebook, recebi o contato de uma moça angustiada, triste mesmo, pedindo minha orientação. Ela relatou que participou de uma seleção de emprego e não foi escolhida. A angústia não era por não ter sido selecionada, na verdade, mas por não saber os reais motivos porquê não conseguiu a vaga. Ao questionar a empresa, recebeu uma explicação superficial, evasiva, relacionada a algum comportamento seu, que me pareceu não ter muita relevância, no momento da entrevista. Ela estava, de fato, muito triste e confusa.

Bem, pensar nestes dois cenários me trouxe a seguinte reflexão: por que algumas empresas ainda têm dificuldade em lidar com a responsabilidade no cuidado com pessoas? Um candidato, ao passar por um processo seletivo, além de toda expectativa criada, se encontra vulnerável, em situação de exposição de si mesmo e de seus desejos. Não pode nem deve ser considerado como “algo” descartável. Não contatar para informar sobre a não contratação, gerando ansiedade no candidato que aguarda uma resposta, e não oferecer a possibilidade de relatar os motivos pelos quais o candidato não conseguiu a vaga são atitudes que devem ser evitadas. Um contato, um posicionamento gera, no candidato não aprovado, um sensação de que não foi “apenas mais um”. Oferecer a possibilidade de relatar os motivos da não contratação pode ser uma oportunidade de ouro para crescimento daquela pessoa, que poderá trabalhar seus potenciais, sua competências, seus pontos a desenvolver para poder pleitear um novo cargo em outra empresa ou, quem sabe, até na mesma empresa, no futuro. E, mais importante: a instituição estará prestando um serviço de utilidade pública ao não contribuir com questões vinculadas aos transtornos mentais.

Para quem passou por uma situação desse tipo, no lugar do candidato: existe um lugar para você! Se passou por um processo seletivo e não foi escolhido, talvez não fosse o melhor lugar para você estar neste momento. Não desista! O autoconhecimento é um grande aliado. Conhecer a si mesmo pode te ajudar muito no processo de compreender o seu propósito de vida e, consequentemente, o melhor lugar para colocar no mundo o que de mais precioso você tem a oferecer: seu tempo, seu talento e seu potencial criativo.

* Feedback: é um “retorno” que o líder (ou selecionador) dá ao subordinado (ou candidato à uma vaga) para orientá-lo sobre sua performance e os pontos que devem ser melhorados.

 

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