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Drogas e orientação aos pais

Alunos de Psicologia da UniSantanna entrevistam o Psicoterapeuta Luiz Pezzini

 

Qual a faixa etária da iniciação dos indivíduos no mundo das drogas?

LP: Há variações conforme o segmento sócio-cultural a que o indivíduo pertence, mas via de regra pode-se dizer que na maior parte dos casos a entrada no mundo das drogas ocorre na adolescência. Vale observar, contudo, que há uma contradição significativa na sociedade, que não considera álcool e cigarro como drogas, pelo menos do ponto de vista legal, ao mesmo tempo em que não compreende os significados mais profundos e mesmo curativos de certos estados alterados de consciência.

 

Na maioria das vezes o que pode levar um adolescente a consumir drogas ilícitas?

São muitos os fatores, como por exemplo o desejo ou necessidade de pertencimento e reconhecimento do grupo de amigos, de transgredir normas estabelecidas pela sociedade para se diferenciar dela em sua busca de identidade, de aquietar o turbilhão da mente (já que não aprendeu como fazê-lo de outra forma), de anestesiar-se das frustrações da vida.

 

Quais os cuidados que  os pais devem tomar ao descobrir que o filho esta usando droga? Informando, proibindo, reprimindo,ou tratando?

LP: Em geral, a repressão, seja do que for, tende a despertar o desejo por aquilo que está sendo reprimido. O usuário de droga precisa ser compreendido e tratado. Vale lembrar que grande parte dos jovens acaba experimentando alguma droga, o que, em certa medida, pode ser considerado como parte da experiência de vida. Digo isto no sentido de alertar para a importância de uma certa abertura e naturalidade ao se lidar com a questão, apesar do seu lado polêmico e do risco em potencial. Há casos, contudo, em que é necessário intervir com mais firmeza.

 

Quando e como devo começar a evitar que meus filhos caiam nessa armadilha?

LP: Desde o começo, os pais podem oferecer bons referenciais, amor, atenção e cuidado, na medida em que os tiverem para oferecer. Isto é o que pode ser feito. Não há como se certificar de que os filhos não usarão drogas. Colocar-se como amigo e manter o diálogo aberto também é fundamental.

 

Quais são as conseqüências, a curto e a longo prazo, que a droga pode trazer para os adolescentes de hoje?

LP: As consequências variam de acordo com a substância utilizada, a quantidade e o tempo de uso. Resumidamente, contudo, podemos dizer que as drogas vão reduzindo a capacidade da pessoa lidar com certas situações da vida, marcadamente as em que ela já tem dificuldade.

 

Para você como seria uma prevenção eficaz?

LP: Poderia começar com as pessoas se preparando um pouco melhor para a tarefa de ser pai ou mãe... Em seguida, rever nossa tendência a consumir lixo (comida, televisão, falação desnecessária, etc.). Outro ponto importante é o autoconhecimento, ou seja, dedicar-se a se conhecer melhor, a fim de desenvolver recursos que tornem o uso de drogas desprovido de sentido.

 

A família de um viciado também deve ser tratada? Por quê?

LP: Sem dúvida, a família do dependente químico deve ser incluída no tratamento. O adoecimento, ainda que seja de apenas um dos membros da família, não deixa de ser parte do contexto, do sistema familiar. Bons tratamentos incluem, no mínimo, orientação familiar.

 

Qual a importância da orientação e esclarecimento dos pais sobre as armadilhas das drogas na fase da adolescência?

LP: Orientação e esclarecimento são muito importantes, e não precisa esperar perceber que o filho está usando drogas para começar. O trabalho educacional pode e deve ter um caráter preventivo, mas sem paranóias desnecessárias.

 

O que acha das drogas licitas com alcoolismo e tabagismo?

LP: O uso de álcool e cigarro constituem-se num grande problema social. O cigarro é a chupeta que os crescidos usam como parte de seus atos auto-destrutivos. O álcool, por sua vez, afoga milhões de vidas no copo todos os anos. Como disse, trata-se de uma profunda incoerência da sociedade. Muitos são os amortecedores que o ser humano usa para evitar entrar em contato com sua angústia. As drogas, ilícitas ou não, são alguns deles.

 

Como os pais podem distinguir quando é hora só de orientar, e quando é hora de procurar ajuda ou uma internação?

LP: Se os pais não estão sabendo o que fazer, talvez já seja hora de conversar com um especialista. Vale fazer uso do bom-senso nesta hora.

 

* Entrevista realizada por alunos da faculdade de Psicologia da UniSantanna como
parte de sua pesquisa de "Orientação aos Pais sobre o uso de Drogas", realizada em 19/09/2008
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Núcleo de Estudos Psicológicos dedicado à formação continuada de psicólogos e profissionais afins. Fundado em 2008 e coordenado por Luiz Pezzini, disponibiliza Grupos de Aprimoramento Clínico e esta Comunidade como plataforma de ensino e online.

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