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Luto: como é viver essa experiência

Luto: como é viver essa experiência

Perder alguém de quem gostamos representa um momento delicado e difícil na vida. Depois da perda fica o vazio, a tristeza, e as memórias dos momentos que estivemos com aquela pessoa. Estas lembranças são mais intensas nos primeiros dias e meses após a perda, talvez pela consciência real de que esses momentos não mais se repetirão.

Esse momento, apesar de difícil, cumpre uma função importante - a de ressignificar a perda. Para a psicanalista Vera Iaconeli, “o luto está para a psique, como a cicatrização está para o corpo; o tecido cicatricial nunca será igual, mas cumpre uma função”. Além da dor causada por essa “cicatrização” a morte de um ente querido nos traz o confronto com a nossa própria finitude. Nos sentimos sem chão, vulneráveis.

Quando pensamos em como continuar a vida sem a pessoa que perdemos, uma das coisas mais difíceis é encarar a rotina que tínhamos com ela. É preciso mudar tudo e ressignificar cada momento da vida sem o ente querido, é como se tivéssemos que aprender tudo de novo. Datas comemorativas tais como: natal, dia das mães, dia dos pais, réveillon, aniversário, etc., podem abalar as pessoas enlutadas, trazendo um desconforto que naturalmente precisa de tempo para ser elaborado e assimilado. Nossa vida vai seguir sem aquela pessoa, portanto, um novo significado precisa ser dado para estas datas.

Essa elaboração é de extrema importância para seguirmos em frente. A literatura enfatiza algumas fases desse processo de elaboração do luto, são elas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Na negação é como se o sujeito não aceitasse o que está acontecendo, não quer falar sobre o assunto, tenta de diversas maneiras não entrar em contato com a realidade atual; a raiva está relacionada ao sentimento de revolta, surgem perguntas como: por que eu? Por que comigo? Geralmente esse sentimento se propaga em todas as direções e projeta-se no ambiente, muitas vezes sem razão plausível; a barganha é como se fosse uma negociação, geralmente com Deus e são mantidas em segredo; na depressão a pessoa fica mais isolada e se sente impotente frente a situação; finalmente na aceitação, o indivíduo já consegue enxergar a realidade e com isso lidar melhor com a morte do ente querido (Kübler-Ross,1992).

É importante lembrar que essas fases são vivenciadas de maneira única por cada pessoa e apesar de terem sido apresentadas numa ordem didática para fins de explicação, na vivência real do luto não seguem um roteiro definido.

Por fim, é importante compreendermos que o luto não é só uma vivência dolorosa, é também tempo de aprender e amadurecer como ser humano, que tem “pele frágil”, e por ser assim, pode ser machucada em alguns momentos. Contudo, em meio aos machucados, existe também a capacidade de regeneração, de superação, de amadurecimento e cicatrização.

 

Referências

Brandão, M. Lenise. (2000). Psicologia Hospitalar: Uma abordagem holística e fenomenológico- existencial. Campinas: Pleno.

Freitas, J. L. Luto e Fenomenologia: uma Proposta Compreensiva. (2013). Revista da Abordagem Gestáltica - Phenomenological Studies,19 (1), 97-105.

Tavares, J. P; Andrade, C.C. (2009). A escuta fenomenológica comprometida pela ótica religiosa de uma gestalt-terapeuta. Revista da Abordagem Gestáltica. [online].15 (1), 21-29.

Parkes, M. Colin. Luto Estudos sobre a perda na vida adulta. ed.3; v.56. Summus, São Paulo, 1998.

Taverna, Gelson; Souza, Waldir. O Luto e Suas Realidades Humanas diante da perda e do sofrimento. Caderno Teológico da PUCPR, Curitiba, v.2, n.2, p.38 - 55, 2014.

Kübler-Ross, Elisabeth. Sobre a Morte e o Morrer. Martins fontes, 1992.

 

Imagem: Filme “P. S. I love you”.

Agradecimentos: Equipe Aprimore Psicologia, pelo suporte e contribuições.

 

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