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O período menstrual deve ser respeitado

O período menstrual deve ser respeitado

 

Tenho visto cada vez mais mulheres reclamando do sofrimento durante os período menstrual e principalmente nos dias que o antecedem. Algumas falam de um sofrimento muito intenso e ininterrupto por dias e noites a fio. Hoje uma delas me disse que parecia ter dupla personalidade, ser outra pessoa neste período, de tão transformada que se sente.

Muitas coisas podem ser ditas sobre isso, pois há diversos aspectos relacionados, além, é claro, de diferentes pontos de vista. Abordarei apenas um destes aspectos.

Durante a menstruação a mulher está mais sensível, mais aberta, e com isso ela fica mais susceptível não apenas à carga das coisas que já fazem parte de sua vida, como também a captar um sofrimento que não é dela mas que está aí, em toda a parte, como que pairando no ar. Todos tem uma noção, ainda que vaga, desta realidade. Veja o que acontece, por exemplo, quando entramos num local tomado pela tristeza, pela desolação, pela “energia negativa” como costumamos dizer. Nós sentimos isso. Dizemos que “não nos sentimos bem naquele lugar”, que “estava carregado”, etc. Muito diferente de um local em que as coisas estão fluindo bem, onde há harmonia. A gente se sente leve, como que banhados pela “boa energia” do lugar. Agora imagine isto em escala maior: a cidade, o país, o planeta. Também esta experiência nos é conhecida, principalmente de quem mora nos grandes centros urbanos e vem desenvolvendo uma certa sensibilidade: a diferença que existe quando vamos para um lugar tranquilo, na natureza, como isso é favorável para um estado de espírito mais sereno e relaxado, do mesmo modo que podemos sentir a diferença ao retornarmos à cidade, com seu barulho, níveis de poluição, eletricidade, ondas infinitas nos atravessando, e, é claro, uma carga muito maior de pessoas sofrendo, não só porque há mais gente mas também porque deixamos de ser parte da natureza, vivendo num mundo desalinhado com um modo de vida mais saudável e sintônico com a condição humana.

Muito bem, durante a menstruação a mulher está mais aberta a captar todas essas coisas. E isto, às vezes, transborda porque é demais, ainda mais se considerarmos o momento histórico em que estamos vivendo, de crise em praticamente todos os setores da vida.

Assim, é fundamental que a mulher se respeite neste período. Respeite seu ritmo, sua sensibilidade. Adapte-se às possibilidades do momento. Não se trata de buscar amortecedores, de se esquivar compulsivamente com substâncias ou atividades excessivas, mas de simplesmente...

Aceitar... respirar... relaxar...

E seguir, se puder. Seguir fazendo o que tem de ser feito, mas agora a partir de um contato íntimo consigo mesma, cuidando do ser, processando conscientemente tudo o que se passa, permitindo-se os limites do momento.

O lado bom de tudo isso é que coisas muito especiais e prazeirosas eventualmente também podem ser vividas neste período com especial intensidade, se você tiver a sorte de não estar entre os casos mais graves. A sensibilidade para o sofrimento é a mesma que nos abre para o prazer. Portanto, este pode ser um período muito favorável para o amor e a entrega, por exemplo. Quanto mais treino a pessoa tiver em “deixar as coisas passarem” (pensamentos, sentimentos), assumindo o lugar daquele que “apenas observa” o que passa pela mente e pelo corpo, maior a chance dela ter acesso a esse lado potencialmente prazeiroso da sensibilidade ampliada que ocorre durante o período menstrual e pré-menstrual.

 

Abril/2016

Aprimore Psicologia
Luiz Pezzini
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Luiz Claudio Di Pino Pezzini (CRP 6/36072). Clínica e Ensino de Psicologia. São Paulo/ Online. luiz@aprimore.com.br. +55 11 98187-9987.

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