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Os sonhos e suas funções na clínica

Os sonhos e suas funções na clínica

A prática clínica cada vez mais me mostra a enorme riqueza e eficácia de se trabalhar os sonhos durante o processo terapêutico. A limitação do campo da consciência, com todos seus mecanismos de defesa impossibilita, muitas vezes, a percepção de perspectivas de um problema ou temática que os sonhos nos revelam. Se bem trabalhadas, as imagens oníricas podem ser um campo fértil para a análise.

Abordei este tema numa aula recente*, enfatizando as funções dos sonhos na clínica Junguiana, bem como seus possíveis desdobramentos no desenvolvimento da análise.

Para Jung, como a compreensão não é um processo puramente intelectual, os sonhos, mesmo que muitas vezes pareçam “sem sentido”, podem mover o indivíduo em direção a ampliação de consciência. Outra função fundamental dos sonhos e já citada acima, é a possibilidade de percepção de pontos de vista ignorados pela nossa consciência.

Para tal análise, é muito importante que conheçamos o momento presente do sonhador, já que, apesar do vasto conteúdo do inconsciente, este, se manifestará de forma associativa a conteúdos da consciência. Sem o conhecimento dessa realidade, corremos o risco de uma análise reducionista e unilateral. Como causadores dos sonhos, citados por Jung, encontramos: fontes somáticas, eventos físicos, acontecimentos psíquicos externos ao sonhador, eventos passados e causas futuras.

Quanto as suas funções, exemplifiquei os sonhos chamados Arquetípicos, os sonhos compensatórios ou autoreguladores da psique, sonhos reativos e sonhos telepáticos.

O trabalho com os sonhos como ferramenta clínica é de fundamental importância para compreensão daquilo que se dá para além do processo dialógico. Entender sua origem e diferentes funções na dinâmica psíquica, nos leva a reconhecer as tendências e reações do inconsciente cujo o propósito é a mudança da atitude consciente e evidenciar conflitos não percebidos pela consciência, apesar dos seus sintomas. Sejam quais forem suas funções, eles sempre desempenham papel importante na autorregulação psíquica, sendo portanto, material riquíssimo para toda psicoterapia.

Finalizei a aula, falando sobre os métodos de se trabalhar os sonhos na clínica Junguiana: amplificação e circo-ambulação. A primeira, diz respeito a extensão do conteúdo do sonho por meio de símbolos contidos nos mitos, contos de fada, religião, arte e cultura que o indivíduo está inserido. Enquanto que a associação dos elementos que aparecem no sonho dizem respeito a trama pessoal do sonhador, a amplificação aponta para os conteúdos coletivos do mesmo. Na circo-ambulação, o objetivo é "girar em torno" na imagem, buscando tirar dela o maior número possível de significações e perspectivas, evitando assim que o símbolo contido nela se perca devido a uma primeira e muitas vezes precipitada interpretação.

Aula apresentada para a equipe de psicoterapeutas do Núcleo de Estudos Psicológicos Aprimore em 09/09/15.

 

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